sexta-feira, 11 de março de 2016

APLICATIVOS DE SAÚDE NO BRASIL E NOS EUA EXPÕEM USUÁRIOS E ACIRRA DEBATE ÉTICO

Os aplicativos que auxiliam à Saúde, como os que informam a qualidade do sono, os batimentos cardíacos e até o de  cálculo de IMC (Índice Massa Corporal) se proliferam na Internet. O uso acontece também entre os médicos, que têm acesso a uma enorme rede de dados, que facilita as pesquisas. Entretanto, uma reportagem da Folha de São Paulo denúncia que esses mesmos aplicativos compartilham informações de usuários com terceiros, levantando um debate ético sobre a necessidade de regulamentação.
"A privacidade desses dados é questionável”, diz a reportagem de Juliana Cunha, que cita um estudo publicado dia 8 de março no Jama (revista científica ida Associação Médica Americana). Segundo o estudo, dados de pacientes são frequentemente vazados para anunciantes, com fins de publicidade direcionada e para outras bases de dados. Isto, sem nenhum consentimento.
Usuários de celular também não estão livres da prática, pois o estudo trabalhou com um universo de 211 aplicativos de saúde disponíveis para Android. Dos aplicativos avaliados, 81% não tinham políticas de privacidade. O fato é que, no final, apenas quatro aplicativos informaram ter pedido permissão, no caso de compartilhamento de dados.
A pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Chicago, nos Estados Unidos, Sarah Blenner, disse que o vazamento de informações pode não ter impacto prático para os pacientes, mas levanta um debate ético. Usuários fornecem todo o tipo de informações a esses aplicativos, como quantas horas dormem e outras. Nas chamadas “tabelinhas virtuais”, são registrados ciclos menstruais e até as datas que as mulheres tiveram relações sexuais.
Segundo Blenner, muitos aplicativos apresentam problemas, fontes não documentadas e falhas estatísticas, além da falta de privacidade. Nos Estados Unidos, alguns médicos defendem que os programas seja regulamentados pela FDA (Food and Drug Administration), as agências regulamentadoras de medicamentos. Não há regulamentação nem lá, nem aqui no Brasil. 
A reportagem completa pode ser lida na seção saúde, da Folha do dia 9 de março, com o título: Sua Saúde Exposta

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