domingo, 3 de novembro de 2013

EM VEZ DE VELAS, UMA MENSAGEM NO FACEBOOK

Em um futuro, não muito longe, pode ser que nos sepulcros as pessoas disponibilizem páginas contando a vida do morto, com mensagens e orações para serem partilhadas e compartilhadas. O avanço tecnológico e as novas descobertas fazem muitos deixarem “velhos costumes” de lado, como a visita ao cemitério no Dia de Finados. E a internet é usada por alguns que já acenderam vela, mas, hoje postam mensagens de congratulações ou aproveitam o próprio endereço do falecido para deixar informações.
Lembro dos antigos preocupados com o ritual do “acender velas”, fenômeno que perde sua força a cada ano. Em parte, acho, por uma migração natural do catolicismo para outras religiões. Mas, acredito que mesmo entre os católicos, a tradição diminuiu e a transmissão de pai para filho vai se perdendo também em outras práticas tradicionais.
Os jornais noticiam, há algum tempo, que o “acender velas e levar flores ao túmulo” não é mais tão comum. Coveiros e trabalhadores mais antigos reclamam da redução do número de contratantes para o serviço de conservação e pintura de jazigos.
Segundo o professor de história da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Vitor Cabral, o culto e as homenagens aos mortos vêm ganhando as redes sociais. “Você acaba criando, nos dias atuais, na sociedade pós-moderna, outras formas de culto aos mortos que não são o cemitério”, diz ele. A reportagem saiu no site Alagoas 24 horas e outros jornais, inclusive em o Diário do Vale (Volta Redonda).
 - Você vê, por exemplo, que alguém morre, mas deixa o Facebook, a página não é deletada. E, no dia da morte daquela pessoa, ou no aniversário, as pessoas deixam mensagens de saudades, de homenagem àquele que foi. Você cria novas formas de culto daquele momento que é a morte, disse o professor. Por isso, não se surpreenda com acontecimentos que, antes dos avanços tecnológicos, pareceriam sobrenaturais.

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