01 setembro, 2010

CÉLEBRE POESIA DE GULLAR E SEU LUGAR NO MUNDO

O caderno Prosa & Verso de O Globo, de sábado, 28 de Agosto de 2010, trouxe a poesia/vida de Ferreira Gullar, um dos maiores poetas da língua portuguesa, contada, em parte, por outros poetas. O maranhense José Ribamar Ferreira, de 79 anos, (ele fará 80 no próximo dia 10) é um brasileiro que como muitos procuram livros em sebo. E isso é de uma simplicidade poética. Uma constatação singular que nos faz plural. E é fenomenal saber que um cara da estirpe de Gullar é comum entre os mortais.
O colunista e escritor José Castello entrevista o poeta, que “sempre foi contra a ideia de ditar um caminho para a arte, já que a arte é algo que se descobre a cada momento”. Castello esteve com o maranhense na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) e depois em seu apartamento, na Rua Duvivier, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Um privilégio de poucos. Já estive na rua carioca e na cidade histórica, o que me dá um certo conforto, porto que sou da poesia no mundo. Um reles observador da célebre poesia de Gullar e de outros pequenos ou grandes poetas e seu lugar no mundo.

TRADUZIR-SE

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém,
fundo sem fundo

Uma parte de mim
é multidão;
outra parte estranheza
e solidão

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte delira

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte se espanta

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente
Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte
será arte?


A entrevista na íntegra de José Castelo na Internet: eglobo.com.br/blogs/prosa

Foto extraída da Internet do site www.paraty.com.br

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