terça-feira, 10 de agosto de 2010

DIÁLOGO ENTRE O AMOR E O MAR

A poesia de Neusa Cançado. Escritora, com vários livros infantis lançados, Cançado é também professora de História, pós-graduada em História do Brasil. Por 30 anos lecionou em colégios das redes particular, municipal e estadual. Aposentada, atua como "Contadora de Histórias". É amante da vida e protetora incansável da natureza.
Dias belos convivemos no Colégio Verbo Divino, em Barra Mansa, quando das aulas de religião. É dela também os versos "Pingos de Amor" (se não estou enganado quanto ao título), que transmite a essência dos fragmentos de amor e chuva. É bom e sempre faz bem os versos de Neusa Cançado. Outros virão ao Blog. Neste, ela registra a conversa entre o imenso mar e o infinito amor, num trocadilho de letras e personificação do abstrato com o concreto.


Amor e mar dialogando


- Mar, mas por que você é tão grande? Perguntou o AMOR.
- Deus me fez assim, para guardar a terra. Respondeu simplesmente o MAR.
- Mar, por que você é tão barulhento? Novamente indaga o amor.
- Gosto de umedecer a areia, meu bramido faz balançar as árvores, aumento a nuvem e acalmo os homens.
- Mar, você nunca se cansa? Insiste o AMOR.
- Ora, AMOR, é por sua causa que existo. Como haveria de cansar.
O AMOR fica encabulado e silencia.
-Ó AMOR, por que está tão quieto?
Intrigado, o MAR agora é quem faz perguntas.
- Eu não sabia que você existia por minha causa. Julguei que se cansasse de jogar suas ondas na areia e que seu barulho fosse zanga por causa da violência dos homens.
- AMOR, novamente pergunto: por que você é tão pequeno, quase invisível?
Coma voz doce e meiga o AMOR responde:
_ Como você, Deus me fez assim para penetrar na beleza de um olhar, me alojar nas singelezas das flores, bailar no ar, fecundar a terra...
- AMOR, fico impressionado com sua calma! Exclama o MAR, e continua: “parece que somos o antônimo um do outro". Você concorda?
- Oh! Meu MAR, isso é que é bom. Assim temperamos “TUDO” e “NADA” existe sem você e eu, retrucou o AMOR.
E o MAR, concluindo, diz:
- AMOR, gostaria de dar-lhe um abraço, e de repente o sinto imenso, muito maior do que eu...


Neusa Cançado

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